Roda Rítmica e Integração das barreiras


A Roda Rítmica são os momentos aqui no Jardim Quaraçá nos quais temos uma roda com versos e musicas relacionados com a época que estamos vivendo.

É importante que essa roda seja preparada pela professora da sala pois ela sabe o que seus alunos estão precisando naquele momento.

Importante para que a criança tenha seu corpo integrado e preparado para o futuro com as atividades motoras mais finas, a roda rítmica trabalha o movimento e versos para que assim as crianças percebam as partes inferior e superior, esquerda e direita e frente e costas.

Antes de seguir com o texto, uma pausa para facilitar o entendimento: Barreiras são linhas imaginárias no corpo que existem na infância para que a criança vivencie, experimente e integre os dois lados do corpo, sua parte superior e inferior e sua parte da frente e de atrás, antes que a dominância se estabeleça.

A linha média horizontal ou barreira média horizontal permite à criança integrar sua parte de cima e sua parte de baixo do corpo. É por esse motivo que as crianças pequenas dobram os joelhos quando agacham para brincar. Quando essa barreira é integrada, isto é, quando a criança já incorporou os membros inferiores e os membros superiores ela já pode abaixar sem precisar dobrar os joelhos pois estas partes já estão registradas na memória corporal (propriocepção).

Aos 4 anos já se espera essa integração. Na roda rítmica é importante para integrar essa barreira mediana horizontal fazer movimentos de agachar e levantar várias vezes. Fazemos isso na roda de São João quando cantamos: 'madeira sobre madeira faremos uma fogueira...' e depois de agachada a criança vai se levantando. Também com a música “Ele pula, ele roda, ele faz requebradinha”. Ao fazer a requebradinha a criança agacha e levanta usando bem os joelhos, requebrando os quadris e subindo e descendo com seu tronco.

A linha média vertical (ou barreira média vertical) é integrada aos 5-6 anos.

Antes disso os ouvidos, os olhos e os membros são usados sem preferência. Essa barreira auxilia a criança a vivenciar os dois lados do corpo e integrá-los (registrá-lo no cérebro) antes da dominância (que é nata) se instalar. Quando se exige da criança uma atividade unilateral antes dessa idade, bordar ou escrever, por exemplo, leva-a a uma lateralização muito cedo podendo prover daí alguns problemas de aprendizagem futuros.

Quando fazemos a roda e os dois braços trabalham em espelho isso é simetria. Quando trabalhamos um braço ou uma perna por vez é lateralização (“ai bota aqui, ai bota aqui o seu pezinho...”). Na roda com crianças de diferentes idades dá para perceber aquelas que já integraram as barreiras e aquelas que ainda não as integraram.

Porém, temos que tomar cuidado com movimentos que as crianças pequenas ainda não conseguem fazer senão as forçamos ao amadurecimento. A barreira média sagital (ou perpendicular ou ainda vertical, para alguns) é aquela que integra a parte da frente e a de trás, vem após os 6 anos e é quando se pode pedir para a criança andar para trás. Antes dessa idade não deveria andar para trás.

Pilar Tetilla Manzano Borba

Graduada em Terapia Ocupacional pela Faculdade de Medicina da USP

Especializada em Tratamento Neuroevolutivo - Conceito Bobath – Terapia de Integração Sensorial e Problemas de Aprendizagem

Formada em Pedagogia Waldorf

Pós-graduada em Antroposofia na Saúde pela UNISO

Ministra palestras e cursos para pais e professores de educação infantil.

Professora nos cursos de fundamentação e treinamento em pedagogia Waldorf.

Consultora em educação infantil de escolas Waldorf, escolas municipais e particulares.

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